The end is a start…

2 da manhã. No meio de um monte de pensamentos desconexos e com sentido duvidoso, corro pro chuveiro. A água geralmente clareia um pouco as coisas em mim. Deixei que escorresse gelada, pra lavar meu corpo e um pouco das minhas memórias. Ou talvez pra lavar as memórias de você em meu corpo. Não sei dizer. E não sei dizer também se foi a última vez. Já nos encontramos e nos perdemos dezenas de vezes. Já nos dissemos outras tantas que não deveríamos mais continuar com isso. Não é amor. Já foi e já acabou. Não há porque a gente seguir. Mas por alguma razão e de alguma maneira, nós sabotamos isso e mesmo depois de termos sempre a conversa mais madura do que a vez anterior e a anterior e a anterior, acabamos nos abraçando e do abraço pro beijo é um pulo, que tratamos de justificar como inevitável, como parte da despedida que estamos sacramentando, e como parte dessa despedida, merecemos nos enroscar e agora estou aqui, lavando seu cheiro de mim. Não sei mais dizer se foi a última vez. Errei todas as anteriores. Não espero nada. O que tiver que ser,  que seja.

E então eu saí do banho com uma vontade danada de rabiscar meu caderninho de impulsos delirantes e de desejos contidos e incontidos. Mas não encontrei uma porra de um lápis ou uma caneta. Me sobrou essa tela branca e brilhante. Preferir, não prefiro, mas por aqui posso dividir  toda essa minha bullshitagem com alguns amigos loucos, reais e imaginários, que vez por outra me pedem pra escrever alguma coisa. Não prometo continuidade, não prometo mais nada há algum tempo. Acabo falhando nas promessas e não há nada mais covarde e escroto do que dizer uma coisa e não fazê-la. Então, já não digo nada. Se fizer, vocês saberão.

No meio do meio da minha insônia, tomo as 10 gotas do meu Rivotril, pra ver se me sossega a cabeza e o corazón. Ainda dependo dele. Ainda dependo de uns goles num whisky qualquer. Um dia, quem sabe, serei melhor. Um dia pode ser que eu anestesie minha melancolia apenas com música, cinema e literatura. Sempre as melhores companheiras, mas hoje, ainda não.

Na Vitrola: ( Just Like We Breakdown ) – Hot Chip

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Sobre A Pele Que Habito

Desconfio que é a maneira com que eu me olho que me dá essa dor. É inevitável enfrentar o espelho. Aí eu tenho um olhar específico pra me enxergar. Acho que todo mundo tem. O meu é fixo, intenso, levemente estrábico... Ver todos os artigos de A Pele Que Habito

Uma resposta para “The end is a start…

  • Flavio Guerra

    Dani, que saudade de você e dessas palavras costuradas com um jeito qué é tão seu. Me identifico com o que escreve, é como se tivesse um espelho em você refletindo o que se sinto. Acho que todo mundo passa por essas mudanças daquilo que gostávamos, que de repente tomam outro sentido. Uma das suas maiores habilidades pra mim, é a tua capacidade de observar, descrever sentimentos, pessoas e colocá-las no papel numa linguagem que entra fácil em todos os poros e fica. Beijos, minha linda.

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