Arquivo do mês: março 2011

Be Free!

Chegar em Paris é sempre uma sensação deliciosa. Tudo lindo, em qualquer estação. Gosto muito. Gosto sempre. Aproveito a noite de sábado pra andar por Saint Germain. Chove um pouquinho. As brasseries estão lotadas, como sempre.

Observo, observo e registro em mim minhas sensações. Uma das coisas que mais amo no mundo é andar sozinha por toda cidade em que estou. Uma boa música marcando meus olhares, os aromas, e a deliciosa sensação de liberdade e descoberta.


Tic tac…

Tá amanhecendo em Paris. Lindo. Eu e mais uma noite clara.

Bonjour!


Flying…

Interessante esse vôo. Depois de mais de uma hora de atraso e mil confusões de assentos que a Tam cometeu, aparentemente por “falha de sistema”, finalmente decolamos, deixando um Rio lindo e visto de cima, nada caótico. Já cruzando o Atlântico, fomos surpreendidos por uma turbulência louca, que não satisfeita em sacolejar o avião, o fez despencar uns bons metros, o que já gerou um nervosismo coletivo, intensificado no exato momento em que o avião inclinou o bico pra baixo. Ouvi uns gritos e deixei de ouvir tudo ao olhar pra senhora ao meu lado. Está com câncer. Esconde a falta de cabelos num chapéu e se protege do frio. Seu olhar não tem medo. É quase doce, mas sem brilho. Ela me sorri e eu sorrio de volta. Aos poucos volto a ouvir tudo em volta. As turbinas fortes. O avião está arremetendo. Ouço uma mulher chorando, ouço orações em diferentes línguas e então o avião estabiliza. Percebo que também estou trêmula. Agarro meu Rivotril e tomo 15 gotas. Não tenho medo de voar, ao contrario, sempre adorei ver tudo de outro ângulo e me perder em pensamentos e horizontes. É quase terapêutico. Nem mesmo eventuais turbulências me amedrontam, mas nunca tinha tido uma experiência dessas. É tudo tão rápido que jamais conseguiria descrever o que pensei. Nada de “o filme da minha vida passou na minha cabeça”. Só me lembro de um questionamento: estamos caindo? Não estávamos… Passado o susto, escolhi ver filme, mas o Rivo e o cansaço me abateram. Apaguei. Acordei com a claridade invadindo algumas janelas. Tomei meu café vegetariano e logo avistava a pista. Pousamos.

E plantando meus pés no velho continente, abro os braços e me preparo pro meu vôo particular.


You’re out of touch, I’m out of time…

3 doses de whisky, uma canção no repeat, algumas lembranças de algumas pessoas e umas poucas lágrimas. É isso que tenho pra essa noite. Amanhã, nessa mesma hora, estarei cruzando o oceano e deixando tudo isso pra trás.

Depois de dias e dias sem beber nada, algumas doses da minha Shiva preferida podem ter potencializado desejos. No breu, consigo ver Winehouse de um lado e Monroe de outro. 2 mulheres sofridas, e eu no meio. Sorrio, sem bem saber por quê…

A canção recomeça. Tento me masturbar. Não tenho tesão por nada.


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